Caso da adolescente tem novas informações com a coletiva de imprensa na PC

Porto Velho (RO) – Uma adolescente de 16 anos foi encontrada morta na noite da última terça-feira (24), em uma chácara localizada na rua Afonso Brasil, setor Chacareiro, bairro Jardim Santana. O caso, inicialmente tratado como morte suspeita, revelou indícios de tortura prolongada, cárcere privado e maus-tratos no âmbito doméstico. A PM prendeu os envolvidos; avó, pai e madrasta.

O caso ficou sobre a responsabilidade da Polícia Civil e hoje, houve coletiva de imprensa da delegada Leisaloma Carvalho, diretora da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, apresentou novos detalhes sobre o inquérito que apura a morte da adolescente Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos. A jovem foi encontrada morta no último dia 24, dentro da residência da família, no bairro Jardim Santana. Segundo a autoridade policial, as informações iniciais levantadas pela investigação foram confirmadas ao longo das diligências.

De acordo com a delegada, Marta Isabelle já sofria abusos desde que deixou a mãe, na Paraíba, para morar com o pai,  José da Silva, e a madrasta,  Farias de Souza. No entanto, conforme apontam as apurações, os episódios de agressões, tortura e humilhações se intensificaram nos dois últimos meses.

A adolescente teria sido afastada do convívio com amigos e vizinhos, como forma de impedir que buscasse ajuda. Ainda segundo a investigação, ela se alimentava de restos de comida e era amarrada ao colchão durante a noite com cabos de fio elétrico, presos com força para evitar fuga. O inquérito descreve que a morte ocorreu de forma lenta e com intenso sofrimento. Ferimentos causados pelos fios apresentavam infestação por larvas.

Avó tinha conhecimento e há suspeita de abuso sexual

O pai, a madrasta e a avó paterna,  Maria da Silva, foram presos sob suspeita de participação nas torturas. Até o momento, o pai e madrasta foram indiciados pelos crimes de tortura e feminicídio. A Polícia Civil também investiga uma possível prática de abuso sexual por parte do pai contra a vítima.

“Quero deixar claro que a causa da morte dela não foi um ato isolado, mas uma sucessão de fatos, como tortura, castigo e sofrimento físico e psicológico dentro da própria casa, que deveria ser um local de proteção e cuidado, nas mãos de quem tinha o dever legal de protegê-la”, afirmou a delegada no início da coletiva.

Histórico de violência

As investigações também revelaram que o relacionamento entre Callebe e a mãe da adolescente era marcado por conflitos e agressões físicas, o que levou à separação. Marta Isabelle viveu até os 10 anos na Paraíba com a família materna, antes de se mudar para a casa do pai.

Desde então, conforme a polícia, passou a sofrer violência psicológica, lesões e maus-tratos. Uma ocorrência chegou a ser registrada por outra filha de Callebe, e havia audiência marcada para março deste ano. “A situação não era tão grave e todas as providências foram tomadas dentro da legalidade”, explicou a delegada.

A PM, além de prender os acusados fez um relato do caso

Porto Velho (RO) – Uma adolescente de 16 anos foi encontrada morta na noite da última terça-feira (24), em uma chácara localizada na Rua Afonso Brasil, setor Chacareiro, bairro Jardim Santana. O caso, inicialmente tratado como morte suspeita, revelou indícios de tortura prolongada, cárcere privado e maus-tratos no âmbito doméstico.

Uma guarnição do Reforço Policial foi acionada por volta das 19h pelo CIOP, após denúncia de que a jovem, que estaria desaparecida há cerca de três meses, teria retornado à residência na manhã do mesmo dia com diversos ferimentos e evoluído a óbito por volta das 18h30.

No local, os policiais foram recebidos pela madrasta da vítima, identificada pelas iniciais I.F.S.F., que conduziu a equipe até um dos quartos da residência. A adolescente, identificada pelas iniciais M.I.S.S., foi encontrada deitada sobre uma cama, coberta por um lençol, já sem sinais vitais.

A área foi imediatamente isolada para preservação da cena. O SAMU foi acionado e o médico plantonista constatou o óbito. Equipes da Polícia Civil, do Departamento de Homicídios e do IML também compareceram para realização da perícia e remoção do corpo.

Lesões graves e indícios de tortura

Durante os trabalhos periciais, foram constatadas lesões graves por todo o corpo da adolescente. Segundo a perícia, ela apresentava quadro severo de desnutrição, múltiplos ferimentos, ossos expostos — incluindo o rádio do braço esquerdo e região da clavícula —, ferida com presença de larvas (miíase), lesões nas costas compatíveis com permanência prolongada deitada, além de dente frontal quebrado.

A perita criminal informou que, devido ao estado físico, seria impossível que a jovem tivesse chegado ao local caminhando, como inicialmente relatado. Também destacou que a vítima certamente sentia dores intensas, sendo improvável que os gritos não fossem ouvidos por pessoas na residência.

No perímetro externo da casa, os policiais encontraram uma fogueira com roupas e grande quantidade de fraldas descartáveis parcialmente queimadas. O fogo foi apagado pela equipe. A quantidade de fraldas levantou suspeitas de que a adolescente estivesse no local há mais tempo do que o informado, indicando possível tentativa de ocultação de vestígios.

Contradições e confissão

Em depoimentos preliminares, I.F.S.F. apresentou versões contraditórias sobre o período de desaparecimento, a presença do pai da vítima e a tentativa de acionar socorro médico. Apesar de afirmar que a adolescente estava extremamente debilitada ao retornar, admitiu que não buscou atendimento médico imediato, limitando-se a cuidados caseiros.

A avó paterna, identificada pelas iniciais B.M.S., confirmou que encontrou a neta em estado crítico, mas também não acionou serviços de saúde ou polícia.

O pai da adolescente, identificado pelas iniciais C.J.S., foi localizado posteriormente na casa da mãe. Após ser detido, confessou que a filha não estava desaparecida. Segundo ele, após fugir de casa, a jovem foi trazida de volta e passou a ser mantida em cárcere privado por mais de dois meses. O homem relatou que amarrava os braços da filha à cama com fios elétricos durante a noite e a deixava trancada dentro da residência durante o dia.

Ele não soube explicar as múltiplas lesões nem o estado extremo em que a filha foi encontrada. Testemunhas também relataram histórico de maus-tratos.

Prisões e enquadramento criminal

Diante dos elementos apurados, C.J.S., I.F.S.F. e B.M.S. receberam voz de prisão e foram encaminhados à Central de Flagrantes. Eles devem responder por tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro, crimes praticados no contexto de violência doméstica.

 

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